Quando se fala em peeling químico, a escolha do ácido não é aleatória — cada molécula tem características físico-químicas específicas que determinam sua profundidade de penetração, o tipo de pele para o qual é mais indicado e os resultados esperados. Conhecer as diferenças é o que separa um resultado excelente de uma complicação desnecessária.
AHAs — Alfa-Hidroxiácidos
São ácidos hidrofílicos (solúveis em água), o que significa que penetram a camada córnea sem atravessar a membrana lipídica das células. São os mais indicados para iniciantes e para fototipos mais escuros.
- Ácido glicólico: menor peso molecular da família (76 Da), maior profundidade de penetração entre os AHAs. Indicado para fotoenvelhecimento, rugas finas e melhora de textura. Concentrações de 20–70% para uso profissional.
- Ácido lático: origem natural (fermentação), peso molecular maior que o glicólico, penetração mais superficial. Destaque para a capacidade de estimular síntese de ceramidas — excelente para pele seca e sensível. Tem ação clareadora discreta via inibição da tirosinase.
- Ácido mandélico: derivado da amêndoa amarga. Peso molecular maior (152 Da), penetração mais lenta e uniforme — isso o torna especialmente seguro para fototipos III–VI (peles morenas a negras), com menor risco de hiperpigmentação pós-inflamatória. Ação anti-acne e clareadora.
BHAs — Beta-Hidroxiácidos
São lipofílicos (solúveis em gordura), o que permite que penetrem nos folículos sebáceos — tornando-os a escolha de excelência para peles oleosas e acneicas.
- Ácido salicílico: o BHA mais utilizado em estética. Concentrações de 20–30% em ambiente profissional. Ação comedolítica (dissolve o tampão sebáceo), anti-inflamatória e antibacteriana. Indicado para acne inflamatória, poros dilatados e oleosidade excessiva.
TCA — Ácido Tricloroacético
O TCA é um halogenado orgânico que age por precipitação proteica, causando coagulação das proteínas celulares. Dependendo da concentração (10–35%), atinge da epiderme à derme papilar. É um dos peelings médios mais estudados, com excelente relação custo-benefício para tratamento de manchas, cicatrizes e rugas moderadas.
O grau de "frosting" (branqueamento) observado durante a aplicação é um indicador clínico da profundidade atingida — frosting nível 1 (branco discreto) indica penetração epidérmica; frosting nível 3 (branco sólido e opaco) indica atingimento da derme papilar.
Ácido Retinóico (Retinol em Concentração Profissional)
O ácido retinóico tópico em concentrações de 1–5% (uso exclusivo profissional, pois é prescrito como fármaco) atua por mecanismo diferente dos demais: liga-se a receptores nucleares RAR (Retinoic Acid Receptors) e regula diretamente a transcrição gênica relacionada à síntese de colágeno, diferenciação de queratinócitos e inibição de metaloproteinases. Resulta em renovação celular acelerada, melhora de textura e ação anti-fotoenvelhecimento com robusta evidência clínica.
Ácido Kójico e Fítico — Peelings Clareadores
Usados em formulações combinadas especialmente para manchas e melasma. O ácido kójico inibe a tirosinase (enzima chave na síntese de melanina), enquanto o ácido fítico age como quelante de íons de cobre, cofatores da tirosinase. Ambos têm perfil de segurança favorável para peles morenas.
Como o Profissional Escolhe o Ácido Certo?
A seleção do agente de peeling leva em conta: tipo e fototipo de pele, indicação terapêutica, histórico de tratamentos anteriores, tolerância individual e objetivos do paciente. Uma avaliação presencial é insubstituível — não existe "peeling universal".
Importante: peelings com TCA acima de 15%, retinóico profissional e combinações especializadas são de uso exclusivo profissional. Concentrações vendidas online sem regulação não garantem pH adequado e podem causar queimaduras químicas irreversíveis.
Qual ácido é o ideal para a sua pele?
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