Manchas escuras na pele são uma das queixas estéticas mais frequentes — e também uma das mais mal tratadas, justamente porque "mancha" é um termo genérico que engloba condições completamente distintas. Tratar um melasma com o mesmo protocolo de uma hiperpigmentação pós-inflamatória é um erro que prolonga o problema em vez de resolvê-lo.
A Bioquímica da Pigmentação
Toda mancha escura é causada por excesso de melanina — o pigmento produzido pelos melanócitos. Mas o excesso pode ocorrer por razões muito diferentes:
- Produção aumentada: melanócitos produzindo mais melanina do que o normal
- Transferência aumentada: melanossomas sendo transferidos mais ativamente dos melanócitos para os queratinócitos adjacentes
- Acúmulo dérmico: melanina que escapou da epiderme e se depositou na derme (mais difícil de tratar)
Identificar qual desses mecanismos predomina — e em qual profundidade (epidérmica, dérmica ou mista) — é o que define o protocolo correto.
Tipos de Manchas Escuras Mais Comuns
Melasma
Hiperpigmentação simétrica, geralmente nas regiões malar, frontal e labial superior. Multifatorial: exposição UV, influência hormonal (contraceptivos, gestação, menopausa), predisposição genética. Pode ser epidérmico, dérmico ou misto. O melasma dérmico é o mais difícil de tratar porque a melanina está abaixo da zona de ação dos peelings superficiais.
Hiperpigmentação Pós-Inflamatória (HPI)
Surge após qualquer processo inflamatório: acne, picada de inseto, procedimento estético mal conduzido, dermatite. Melanócitos hiperativos respondem à inflamação produzindo e transferindo excesso de melanina. Geralmente epidérmica — responde bem a peelings e despigmentantes tópicos.
Lentigos Solares
Depósitos melanocíticos causados por exposição UV cumulativa. Surgem geralmente após os 40 anos, em áreas cronicamente expostas (rosto, dorso das mãos, decote). Constituídos por aumento do número de melanócitos e produção aumentada de melanina. Respondem bem a peelings e laser.
Efélides (Sardas)
Geneticamente determinadas, com densidade de melanócitos normal mas atividade melanogênica aumentada pela exposição UV. Pioram no verão, melhoram no inverno. Resposta rápida à fotoproteção e peelings superficiais regulares.
Hiperpigmentação Periorbitária
As "olheiras pigmentares" — depósito de melanina na região infraorbitária. Distinta das olheiras vasculares (causadas por transparência da pele e vasos). A abordagem clareadora funciona apenas para o componente pigmentar.
Como o Diagnóstico Diferencial é Feito
A lâmpada de Wood (luz UV-A) é uma ferramenta clássica: manchas epidérmicas ficam mais contrastadas sob Wood (aumenta a detecção), enquanto manchas dérmicas não apresentam realce — isso ajuda a classificar a profundidade da pigmentação.
A dermoscopia é cada vez mais usada para analisar o padrão de distribuição da melanina e diferenciar condições benignas de lesões que merecem avaliação dermatológica.
Importante: algumas manchas devem ser avaliadas por dermatologista antes do tratamento estético — especialmente lesões assimétricas, com bordas irregulares, múltiplas colorações ou que crescem rapidamente. O critério ABCDE (Assimetria, Borda, Cor, Diâmetro, Evolução) é uma referência inicial.
Identifique o tipo da sua mancha e inicie o tratamento correto.
A Dra. Joicy Stering avalia o tipo, profundidade e causa da hiperpigmentação para indicar o protocolo mais eficaz. Campo Grande, MS.
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