O melasma é uma das condições mais desafiadoras na estética — não porque não exista tratamento eficaz, mas porque é uma condição crônica que exige manejo contínuo, não cura definitiva. Quem trata melasma com a expectativa de "resolver de vez" frequentemente fica frustrado. Quem entende que é uma questão de controle e manutenção consegue resultados duradouros e satisfatórios.
O que é Melasma e por que é Diferente de Outras Manchas
O melasma é uma hiperpigmentação adquirida, simétrica, de causa multifatorial. Os três principais gatilhos são:
- Radiação UV: o principal fator ambiental. A UV ativa melanócitos via receptor MC1R e via efeito direto no DNA melanocítico
- Influência hormonal: estrogênio e progesterona aumentam a sensibilidade dos melanócitos à UV e estimulam diretamente a melanogênese. Por isso o melasma é muito mais prevalente em mulheres e piora durante a gestação (cloasma gravídico) e com uso de anticoncepcionais
- Predisposição genética: forte componente familiar, especialmente em fototipos III–V
Tipos de Melasma: Epidérmico, Dérmico e Misto
A classificação por profundidade define o protocolo:
- Epidérmico: pigmentação confinada à epiderme. Melhor resposta a peelings superficiais, despigmentantes tópicos e microagulhamento com ativos clareadores
- Dérmico: macrófagos carregados de melanina na derme. Muito mais resistente ao tratamento — os peelings superficiais não alcançam essa profundidade
- Misto: componentes em ambas as camadas. Exige protocolo combinado e expectativas mais conservadoras
Tratamentos com Melhor Evidência
Despigmentantes Tópicos
A primeira linha sempre inclui agentes tópicos clareadores, usados domiciliarmente entre as sessões:
- Ácido kójico + ácido fítico: inibição da tirosinase
- Niacinamida (vitamina B3): inibe a transferência de melanossomas dos melanócitos para os queratinócitos
- Ácido tranexâmico: inibe a via do plasminogênio que ativa os melanócitos
- Retinoides (tretinoína): acelera o turnover celular, eliminando queratinócitos hiperpigmentados mais rapidamente
Peeling Químico para Melasma
Para melasma epidérmico: glicólico, mandélico, kójico e combinações. Protocolo de 6–8 sessões mensais. O mandélico é especialmente valorizado por fototipos III–VI (menor risco de HPI pós-peeling). Para melasma misto: TCA em baixas concentrações ou combinações multiácidas, sempre com preparo de pele prévio.
Microagulhamento com Ativos Clareadores
O microagulhamento cria microcanais que permitem a penetração transdérmica de despigmentantes (ácido kójico, vitamina C, ácido tranexâmico) em profundidades que o uso tópico convencional não alcança. Para melasma misto com componente dérmico, essa combinação pode atingir profundidades que os peelings superficiais não conseguem.
O Pilar Insubstituível: Fotoproteção Rigorosa
Nenhum tratamento de melasma funciona sem fotoproteção diária e rigorosa. O FPS 50+ com proteção UVA ampla (PPD ≥ 16) deve ser aplicado todos os dias — independentemente de sol, nuvens ou trabalho interno. Janelas de vidro transmitem UVA. Telas de computador e smartphone emitem luz visível de alta energia (luz azul) que também pode estimular melanócitos.
No clima de Campo Grande (MS), com irradiação UV extrema no verão, chapéu de abas largas ou viseira em exposições prolongadas é parte do protocolo, não opção.
Expectativa Realista: Controle, Não Cura
O melasma pode ser controlado a níveis imperceptíveis com tratamento adequado e manutenção. Mas é uma condição crônica — uma exposição solar intensa sem proteção pode reativar a pigmentação em dias. O objetivo é gestão contínua de longo prazo, não uma sessão que resolva de vez.
Controle o melasma com protocolo especializado.
A Dra. Joicy Stering tem experiência com o manejo de melasma em peles brasileiras diversas. Avaliação completa e protocolo individualizado. Campo Grande, MS.
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